Para onde o debate e a manutenção ou mudança da política de assentamentos leva a sociedade e o Estad



Há alguns dias comemoramos e celebramos os primeiros 68 anos do Estado de Israel, um país que em relativamente pouco tempo conseguiu se desenvolver além das dificuldades da região e chegou a tornar-se um pais exemplo em muitos campos. A História dos judeus como povo, a proclamação da Independência judaica, o duro trabalho dos Chalutzim (pioneiros na Terra de Israel antes da criação do Estado), a chegada dos novos imigrantes (Olim Chadashim) que tinham que iniciar sua sua vida do zero, foram os fatores principais que produziram a famosa cultura de desenvolvimento do país, hoje mais reconhecida pelas startups.


Nesse período de tempo o pais não só se desenvolveu nos campos supramencionados, mas também foram geradas uma série de lacunas e diferenças entre diversos setores da sociedade em um conjunto de temas: religião e Estado, etnias, política de Estado, economia, entre outros. Justamente em Israel, como um país aberto à imigração judia do mundo inteiro, como país pluralista em suas raízes, que recebe os judeus sem se importar com suas vertentes religiosa, origem étnica ou nível econômico, pode-se ver as grandes diferenças de pensamentos, ideias, ideologias e, consequentemente, na forma de vida.


Um dos maiores temas de debate na sociedade Israelense, principalmente desde 1967 após a Guerra dos Seis Dias, é o tema geopolítico e a política de Estado. Pode-se ver claramente as diferenças entre a esquerda e a direita, com a primeira se posicionando e contra a ocupação israelense nos territórios conquistados e a segunda estando a favor da manutenção da presença israelense por meio do estabelecimento de assentamentos (o debate se enfoca principalmente em Judéia e Samaria, também conhecida como Cisjordânia). Este constante debate foi, por muitos anos, o tema principal das campanhas eleitorais em Israel. Os partidos políticos se posicionavam segundo a sua ideologia e o povo davam-lhes a oportunidade eleitoral para ver alguma mudança ou manutenção na política dos assentamentos e nas negociações de paz com os palestinos. O debate entre os diferentes polos (opostos) dentro de Israel gerou, mais de uma vez, uma sensação de falta de consenso político e falta de união entre o povo. Um dos acontecimentos mais tristes, onde pode-se ver os níveis e diferentes dos tons das discussões políticas, foi quando do assassinato do Primeiro-Ministro Itzhak Rabin em novembro de 1995 perpetrado por um ativista da extrema direita. Nos meses posteriores ao assassinato, a sociedade presenciou uma série de incitamentos violentos por parte da direita contrária à política do governo Rabin.


Vinte e um anos depois deste traumático acontecimento, Israel ainda se encontra imersa no mesmo debate sem vislumbrar uma solução concreta. Em adição, Israel ainda ocupa e constrói assentamentos judeus, sem respaldo internacional. Mas uma vez autorizados pela lei Israelense, outros são assentamentos são construídos, além da ausência de avanços nas tentativas de chegar a um tipo de diálogo produtivo com os palestinos. Mesmo que algumas partes do governo digam que acreditam na importância da existência de um Estado Palestino, não significa necessariamente que o caminho seja o mesmo para todos os partidos e ideologias.


O debate deste tema é necessário para definir algum tipo de solução ao problema existente (que poderíamos pode ser identificado como um tema de caráter de segurança nacional) e evidentemente ver-se-á que as diferenças entre as ideias políticas se fortalecerão até o extremismo. Os últimos acontecimentos de atropelamentos e esfaqueamentos por parte de palestinos, geraram um extremismo e ódio principalmente entre os grupos da direita judaica. No outro lado do espectro político, cada vez que o governo decide fazer uma intervenção militar em território palestino, observa-se um nível maior de crítica por parte de grupos de esquerda.


Este debate pode levar a sociedade israelense à um ponto de acentuadas divergências em como cada um cidadão enxerga o Estado, a elevados nível de incitamento à violência, à governos fracos com baixos níveis de aceitação popular e, em minha análise, levando principalmente à um elevado dissenso entre o povo, prejudicando um importante elemento para manter uma sociedade forte e resistente a qualquer desafio.


Por outro lado, este debate doloroso é um reflexo inerente do nível democrático, do pluralismo e aceitação de ideias do sistema político israelense provando, ao largo, que o sistema eleitoral (que também pode ser muito criticado em sua metodologia) consegue trazer as vozes de diferentes setores do povo israelense para o arcabouço de execução institucional.


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